Ai este amor...
Conheci o CMUC quando ele tinha precisamente a idade que tenho hoje: 35 anos.
Temos uma grande diferença, é verdade, mas "o amor não escolhe idades", diz o povo e tem razão.
Na altura, eu era só ainda uma miúda e ele trinha já uma vida cheia para contar.
Fascinou-me aquela maturidade toda, aquela segurança de quem sabe o que tem para dar e ensinar... e o charme de alguém que, ao mesmo tempo, precisa de receber.
Lembro-me da primeira vez, como se fosse hoje. Cheguei tímida, um pouco assustada até... Achei-me insignificante aos olhos dele e temia o pior: que ele nem reparasse em mim. Quis fazer-me forte. Ergui a cabeça, empinei o nariz e pensei de mim para mim: "Se não gostar de mim, não gostou. Há mais quem goste!" Encolhi os ombros duas ou três vezes em sinal de indiferença e avancei, determinada.
Respirei fundo e entrei na sala. Sentei-me e esperei pela minha vez. Enquanto esperava, torcia os dedos das mãos, ansiosa, e tentava repetir interminavelmente a mesma frase na minha cabeça: "Tu consegues, tu consegues, tu consegues..."
Lembro-me da primeira conversa que tivemos. Estava tão nervosa que debitei uma série desenfreada de vocalizos, como se tivesse entrado numa espécie de verborreia musical. Cantei-lhe sobre mim e sobre a minha voz de contralto.
Deixou-me entrar no seu mundo e eu fui entrando devagarinho.A paixão foi imediata e atingiu proporções quase patológicas. Os meus pais - que apoiaram a relação no início, por a acharem passageira - começaram a criticar, a contrariar, a colocar obstáculos. "Vives em função do CMUC! Só pensas no CMUC! Estás até altas horas da noite com o CMUC! Passas mais tempo em casa do CMUC do que na tua própria casa."
Nunca tive a presunção de achar que conseguiria que eles entendessem um amor assim. Nem eles, nem tantos amigos que se foram queixando que eu nunca mais tinha aparecido.
Fui lutando contra tudo e contra todos por este amor, por esta paixão. Acho que houve uma altura em que ele se apaixonou por mim também. Chamava-me para ir a todo o lado com ele. Percorremos o país de Norte a Sul. Até fomos ao estrangeiro! Várias vezes! Levou-me a tantos concertos... Bach, Mozart, Carl Orff, cantatas, missas, misereres. Mostrou-me tanta gente diferente, tanta gente especial, tanta gente que ainda hoje me faz tanta falta. O CMUC ensinou-me tantas coisas... pianissimos, staccatos, ralentandos, legatos, eu sei lá!
Hoje, os meus 35 anos são gordos de vida e devo-lhe isso para sempre.
Crescer ao lado dele foi a melhor escola que eu podia ter tido.
Hoje, o meu amor é mais adulto, mais sereno, mas não menos intenso.
Os meus pais aceitaram-no finalmente e até sentem saudades de o ver por lá.
Sei que ele não é só meu, porque, na verdade, nunca foi de se prender.
Sei até que outras se apaixonaram também, mas não sinto ciúme.
O CMUC tem um coração enorme e uma capacidade de amar e dar como nunca vi.
Hoje faz 50 anos, mas na verdade, cada ano faz para aí umas 50 vidas!
E eu... sou uma delas.
Parabéns CMUC.