21.10.10

FÚNEBRE VONTADE



Um dia, quando eu morrer,
Espero que o Sol me venha ver.
Mas se a chuva quiser espreitar,
Não faz mal nenhum, deixem entrar…

Não quero marcha, prefiro a bossa
O adeus do Vinicius tem muito mais força.
Não me entupam de coroas em cima do caixão,
Quero velas de cores e bolas de sabão.

Também me chateia essa coisa do preto.
Comigo, o luto é vermelho discreto.
E se insistirem muito num cortejo a pé,
Arranjem alguém que toque jambé.

Não me vistam de bata, blusa ou colete.
Quero ir com charme, de ligas e corpete!
E para fazer justiça ao meu esqueleto
Escolham para os pés o meu maior stilleto!

Apareçam que gosto de estar com vocês.
Vão tantos, vão muitos, todos de uma vez!
Levem vinho, espumante, tudo, menos dor,
Afinal a ideia é ir “desta p’ra melhor”!

11.10.10

IDEÁRIO


Tive uma idéia!!!
E se, em vez de castelos de cartas,
construísses um de areia?
Sempre dura até a maré cheia...

E se, em vez de um mundo de mentira,
preferísses viver numa aldeia?
Mesmo que fosse um pouco mais feia?

E se, em vez de viveres só metade,
vivesses uma vida e meia?
Que fosse só tua, não uma alheia...

E se, em vez de amarras e algemas,
tu escolhesses sair da cadeia?
E nunca mais levar tareia?

E se, em vez de astros e estrelas
amasses quem nunca te odeia?
e jamais te usa e remedeia?

Eu sei, é só uma idéia...
Mas quando ela te corre na veia,
a vida não passa,
a vida passeia.