Um dia, quando eu morrer,
Espero que o Sol me venha ver.
Mas se a chuva quiser espreitar,
Não faz mal nenhum, deixem entrar…
Não quero marcha, prefiro a bossa
O adeus do Vinicius tem muito mais força.
Não me entupam de coroas em cima do caixão,
Quero velas de cores e bolas de sabão.
Também me chateia essa coisa do preto.
Comigo, o luto é vermelho discreto.
E se insistirem muito num cortejo a pé,
Arranjem alguém que toque jambé.
Não me vistam de bata, blusa ou colete.
Quero ir com charme, de ligas e corpete!
E para fazer justiça ao meu esqueleto
Escolham para os pés o meu maior stilleto!
Apareçam que gosto de estar com vocês.
Vão tantos, vão muitos, todos de uma vez!
Levem vinho, espumante, tudo, menos dor,
Afinal a ideia é ir “desta p’ra melhor”!

