28.3.07

24 horas


É pouco.
Não chega...
Preciso de muito mais.
Vejam-me lá isso, por favor.


banda sonora: All I need - Air



27.3.07

Exasperação



Detesto papelada.
Irrita-me tudo: as contas, cada parcela, cada carta registada com aviso de recepção, cada mail sobre condições e contratos de trabalho, cada negociação, cada cálculo, cada declaração.

Tudo!

Faço um esforço hercúleo para tratar dessas coisas.

Deixo arrastar até quase roçar a irresponsabilidade.

Depois... quando já fiz tudo que era possível fazer antes disso, entrego-me a essas actividades como quem se entrega a um esforço físico insuperável.
E fico cheia de mau-feitio para o resto do meu dia.
Apesar de uma espécie de alívio do "dever cumprido", porque é mesmo isso que sinto... que é um dever, uma obrigação, uma estopada... o meu dia fica irremediavelmente estragado.
Muitas vezes me questiono... Porque será?
Conheço tanta gente com jeitinho para a coisa... Que o fazem tão bem e até com gosto...
Porque terei eu saído assim?

Incapaz desta maneira?
Já sei, já sei... Freud explicaria.

É a velha questão dos hemisférios cerebrais... Ok, ok.
Mas que raio de consolação é essa?

A ideia é sentir-me supostamente menos "anormal"?
A verdade é que este mundo pede cada vez mais burocratas, cada vez mais oficio-dependentes, pessoas supostamente normais, responsáveis e adultas.

E eu continuo a preferir cantar, dançar, escrever e ler histórias, ver e fazer filmes...

Já agora, dava jeito que aceitassem este meu hemisfério cerebral sem preconceitos.
Já estive mais longe de contratar um contabilista.
E, se a cirurgia plástica fizesse "brain jobs", eu era a primeira da fila a pedir um pequeno "ajuste".

Dispensava bem os implantes de silicone, as lipoaspiações, os liftings e os botox das mil e uma Corporationes Dermoesteticas deste e de outros países... Acreditem.

Pagava bem por uma pequena afinação no meu hemisfério esquerdo.

Esquerdo, no meu caso...

...que não sou canhota!

Lá terei de compensar o meu final de dia com algo verdadeiramente irresponsável... ou infantil...

... ou simplesmente delicioso!



Pianissimo...


banda sonora: April is in my mystress face - The hillard ensemble

23.3.07

Uma ida


Tenho um barco para apanhar
e ainda hesito no cais
pasma...
incrédula...
Como se já não contasse com ele ali.
Precisava de sentir:
orgulho verdadeiro,
vaidade descarada,
felicidade incondicional...
de alguns dos pilares daquela que sou.
Mas só posso pedir paciência, tolerância e compreensão.
Porque "o barco vai de partida"...
... e não posso perder a viagem.
Pela primeira vez, estou a fazer uma viagem só minha.
Só EU e a MINHA bagagem
Acho que é isso que os confunde.
E eu peço desculpa...
... mas vou.



19.3.07

Mission accomplished



Voltei de pés bem assentes na terra...



... e, ainda assim, numa espécie de levitação.


18.3.07

Four gone, one to go...


Finalmente... a areia, o mar, o Sol...
E este farol...
Aqui, os caminhos são fáceis de encontrar.
E todos eles vão dar a mim.
É por isso que volto sempre.
E cada vez mais.


16.3.07

Ao terceiro dia...
Fechei o computador.
Fechei o saco de viagem e pus-me a caminho.
Há muito tempo que não fazia uma viagem tão bela.
E tão libertadora...
Descobri que faço boa companhia a mim própria.
Viajar sozinha, afinal, não faz mal.
Há dois lugares no mundo que me fazem sorrir quando chego.
A minha Coimbra e o meu Farol.
Preparo uma reportagem fotográfica elucidativa,
mas não demasiado reveladora.
Afinal, gosto deste canto assim... quase só para mim.
E este Sol...que nunca aparece por acaso...
Estou bem.
Continuo em frente.
Corro menos riscos de errar no caminho.

14.3.07

Dia dois


Um pesadelo acordou-me às 4:35, meia hora depois de me deitar.
Em vez de acordar aflita, com o batimento cardíaco acelerado, senti um peso indescritível no coração e uma pressão no corpo que me pregou à cama. Acho que pesei 500 kg.
Um telefonema a quem eu sabia acordado aquelas horas acalmou-me.
Começo a arrumar as coisas. Não necessariamente no sítio de antes, mas arrumadas.
Este Sol tem sido o melhor dos remédios.
Obstinada, sigo em frente. Escolho cores vivas para as minhas estradas e a minha própria velocidade.
O ritmo de trabalho ainda se ressente. Demoro mais tempo do que queria, mas sigo em frente.
O dia não terminou. Está na hora de sair, apanhar ar, ver pessoas, falar...seguir em frente.
Apetece-me partilhar não sei bem o quê.
Acho que nada de especial... ou talvez um bocadinho de tudo.
Vou até ao Mónaco... Este, mesmo ao pé de casa.
Queres vir?




Banda sonora: Stay with you - The Goo Goo Dolls
Day one


Muito bom.

Uma festa, gente bonita, muitas fotos e boa-disposição.

O descomprimir merecido das "7 Maravilhas" no coincidente bar In Seven.

Apesar da ressaca da noite pouco dormida e do corpo dorido de tanto dançar,

acordei ainda a rir.
Na viagem de regresso, invadiu-me uma espécie de energia interior que me garantia em surdina: "Vais ficar bem."
Acreditei.

Escolhi 2 ou 3 CDs.

Aumentei o volume do rádio sem preconceitos e a música empurrou-me em frente.

Terminei o dia agora, depois de horas à conversa com amigos que sentiram a minha falta, sem sentirem que eu senti a deles também.

De vez em quando, aqui e ali, suspendi o olhar noutro lugar e lembrei-me, mas tentei fazer dessa lembrança... reticências.

Amanhã... já é hoje. É bom sinal.


Banda sonora: Only you and I - TIM



13.3.07

Resolução


Tenho exactamente
5 dias
para respirar fundo,
levantar a cabeça
e me deixar de mariquices.
Acabou-se a melancolia... decidi.
Vá miúda...
carpe diem!!!!








12.3.07

That's all folks!!



Muito lentamente, volto à normalidade dos meus dias anteriores ao turbilhão.

O meu corpo ainda se ressente do ritmo alucinante.

Reage em espasmos, como que a pedir mais adrenalina, apesar da exaustão.

Os olhos tremem involuntariamente e, inquietos, procuram no vazio o que olhar, à espera de ver outras luzes, outros corpos em movimentos sincronizados e outras sombras coreografadas.

A todo o momento me assaltam frases musicais repetidas vezes sem conta, deixas de um guião que já arrumei.

Adormeço ainda cansada e acordo demasiado cedo e sobressaltada, com receio de chegar atrasada, onde já ninguém espera por mim.

Quero muito repousar no gozo de lembrar os dias frenéticos, mas ainda fico presa a uma espécie de melancolia.

Enervo-me comigo mesma. Com esta inexperiência, ingenuidade e infantilidade de quem só agora começou a consumir esta droga.

Decidida, começo a fazer as malas outras vez, rumo ao meu refúgio de sempre, mas desta vez, para uma cura de desintoxicação.

Espero voltar já sem maquilhagem, sem postiço e sem lantejoulas.


banda sonora: Long weekend - Rubyhorse

10.3.07

Quo vadis?




Não é tão estranha esta sensação de que ainda agora chegaste e já foste embora?
Mal tive tempo para sentir.
Mas talvez isso não seja mau.
Vou queimar mais um pau de incenso...

S.O.S.













Preciso urgentemente de ir ali respirar fundo.


Voltei...

... mas para voltar, tive de vir embora.

1.3.07