15.9.17


Sabes, Maria...
Não é por hoje ser o teu dia.
Mas pareceu-me, de repente, que o dia nasceu diferente.
Mais luminoso, com luz de antigamente.
Mais generoso, de um calor terno, sem chegar a ser quente.
Mais bondoso, com laçadas de flores a embrulhar-te um presente.
E maravilhoso. Glorioso. Sobrevivente!
A lembrar que os dias podem nascer assim sempre.
Para honrar quem a vida agradece, quem à vida não mente.
Pareceu-me, de repente...
Que o teu dia... também por ser teu, Maria...
Hoje nasceu diferente.

11.9.17

MANHÃS


É assim todas as manhãs...
O mesmo Sol no horizonte
Uma saudade a fazer ponte
E um lençol de nuvens, às vezes de algodão
Outras, de linho translúcido de ilusão
E às vezes, muitas...
Mais do que as que eu queria,
Nuvens cinzentas de agonia
E um baloiço...
Onde eu, sozinha, me agarro
Como ao vício de um cigarro
Para fingir a companhia
Que tinham os dias, quando eu me ria
Ou aquelas outras manhãs no horizonte
Em que eu não precisava de ponte
Porque era tão forte o teu Sol,
Tão brilhante, tão potente...
Tão flagrante, tão presente...
Que, inúteis, as nuvens não te faziam lençol.