Ah,
Dão!
Quantas
vezes te dizem o nome em vão!
Tão
alheios, tão longe do teu milagre estão
Que te
passam, sem ver, de tão cegos que são.
Perdão!
Se te
esquecem os verdes que lhes vestem a pele
Se te
ignoram as uvas e o seu vinho fiel.
Se não
sonham que é do vento que lhes nasce uma voz
Que na
montanha ecoa como um grito feroz.
Se não
sabem dos teus rios, nem sequer para onde vão…
Ignorantes
das águas e da sua missão
Se não
sentem nos campos sangue que corre quente
E linhas
nas vinhas escritas com mão de gente
Ah,
Dão!
Não são
só as tuas montanhas, os teus vales, os teus rios…
Não são
só os teus campos que nunca abandonas vazios
Não é só
o teu verde que dá cor à minha Esperança…
Nem é só
o teu vento que dentro de mim dança…
É essa
tua videira que me abraça uma vida inteira!
E és tu!
Terra e
alma do meu avô!
Que me
vestes de mim!
Que me
dás quem eu sou!




