Sabes que a maldade te veio visitar
Porque não conseguiu levantar a cabeça,
Porque não conseguiu estender-te a mão,
Porque não conseguiu olhar-te em frente,
Porque manteve de ti uma distância cobarde.
Percebes que não levantou a cabeça, porque não tem coluna.
Percebes que não te estendeu a mão, porque é rastejante.
Percebes que não te olhou, porque a Luz fere-lhe a visão limitada.
Percebes que não te beijou, porque é venenosa.
E ficou ali, escondida entre a cobardia e a má-fé.
Até que a viste embora. A rastejar à pressa até ao buraco de onde veio.
Onde as sibilantes que fazem o nojo dos seus dias ecoam e fazem sentido.
E ficaste a vê-la ir, Deixou um rasto de escamas nojentas e sem brilho.
Sentiste um misto de alívio e comiseração por forma de vida
tão tristemente inglória.
Tão tristemente ignóbil.

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