Com uma punhalada fria, Alguém decidiu um dia
que eu nunca, JAMAIS, haveria
de ver, nos olhos de alguém,
brilharem os meus olhos de mãe.
E perante tamanha avaria, fiz aquilo que devia:
dei rodas à paralisia e um peito aberto à agonia;
da apatia fiz coreografia
e ao meu nada, dei demografia.
Levei a dor à fisioterapia;
dei um carrocel à nostalgia;
enchi o vazio de toda a mordomia;
fiz cócegas à minha apatia
e dei uma história à minha biografia.
E foi com enorme ironia que,
no meio desta correria,
e com a precisão de uma cirurgia,
vi, nos olhos de quem eu mais queria,
brilharem os meus olhos de tia.


1 comentário:
É como uma lufada de ar fresco,
Poder voltar a comentar um teu texto!
Essa coisa de só às vezes seres poeta,
como quem está em permanente dieta,
deixa em quem tem fome de letras tuas,
um esquecimento desta tua lua.
Queixa feita, venho só para te dizer
aquilo que, pelos vistos, não conseguias ver:
uns olhos rasgados de tia,
sempre em postura de atriz,
que ás vezes só por teimosia,
mais parecia uma imperatriz.
Por aqui não vejo ironia,
só uma eventual alegria,
que eu próprio sentiria,
se visse crescer cada dia,
uma(s) sobrinha(s) como a Tia.
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