28.8.07

VÁ... VÁ...



Vá, miúda... Concentra-te.
Deixa-te de fantasmas...
É quando pensas que existem,
que deixas que te fitem.
E tu sabes disso. E detestas.
Vá miúda... Distrai-te.
Bebe um copo, ouve música.
É quando pensas nas horas,
que elas queimam o que adoras.
E tu sabes disso. E odeias.
Vá miúda... então?
Concentra-te no essencial...
A Alice, no fim, também acordou
e a Menina do Mar nunca se afogou.
A Eliza sempre teve maneiras
e a Maria não chegou a ser freira.
O Jesus sai sempre ileso da cruz.
E a Estrela, vais ver, não te vai morder!
Vá miúda... anda lá!
Olha bem para ti...
Lembra-te quem és...
Lembra-te onde estás...
Se isto fosse um palco,
tudo seria fugaz.

26.8.07

ÁRVORE DA VIDA




Vida engraçada, esta, a minha.
Despe-me e veste-me do que não tinha.
Mostra-me cores, sabores, odores
Que antes achava castradores.
Irónica, sim, esta minha vida
Que onde doía, já não é ferida.
Irónica vida que me ensina
Que cada dia é justiça divina
Vida engraçada esta que eu vivo
Que faz do mesquinho, o superlativo.
Vida, minha
Vida, sim
Que antes era vida
Mas vida sem mim.
Vida que fui
Sem ser o que sou
Mas por mais que viva
Sem vida, não sou.

16.8.07

RITMOS

Devagar, devagarinho...

Depressa para quê?
Se o tempo demora?
Se 60 minutos são sempre uma hora?
Se esta vida depois se deita fora?
E se, no fim, todos vão embora?
Devagar sim!
Que a pressa faz mal ao perfeito
Que o rápido entorta o direito
Que a correr se perde o jeito
Que o fôlego precisa do peito.
Devagarinho, devagarinho...
Porque não tarda nada tudo termina
Daqui a pouco é tarde, é naftalina
E eu não tenho tempo
Para ser heroína.
Maré cheia


... todos os dias

13.8.07

MISTÉRIOS




Não sei bem, eu sei
Se sei bem o que fazer
Mas mesmo sem saber
Sei ...
Não sei bem, também
Se o que sei, sabe bem
Mas faço o que sei
Porque o que sei vem
De quem me fez
E me fez bem...



12.8.07

Mudar

... nem é o mais difícil.
Difícil, difícil... é acreditarem que mudámos.


6.8.07

MANUAL





Sempre procurei beleza nas mãos.


Quando calam o que falamos
Quando falam o que calamos


Quando coram do que escondemos
Riem do que mostramos
E choram os nossos ais.


Quando dançam, cantam
acordam e dormem
no corpo despido de um vestido
que se usou demais.


Quando esperam, desesperam, exasperam
e pedem mais.


Quando soluçam, vazias,
Quando tremem de agonias,
Quando temem vendavais.


Quando, erguidas, ressuscitam
Quando, decididas, nos gritam:
"Estamos vivas... Onde vais?"


Sempre encontrei beleza nas mãos.

As minhas, hoje, são lindas.
E querem envelhecer assim...