6.8.07

MANUAL





Sempre procurei beleza nas mãos.


Quando calam o que falamos
Quando falam o que calamos


Quando coram do que escondemos
Riem do que mostramos
E choram os nossos ais.


Quando dançam, cantam
acordam e dormem
no corpo despido de um vestido
que se usou demais.


Quando esperam, desesperam, exasperam
e pedem mais.


Quando soluçam, vazias,
Quando tremem de agonias,
Quando temem vendavais.


Quando, erguidas, ressuscitam
Quando, decididas, nos gritam:
"Estamos vivas... Onde vais?"


Sempre encontrei beleza nas mãos.

As minhas, hoje, são lindas.
E querem envelhecer assim...

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