
Sempre procurei beleza nas mãos.
Quando calam o que falamos
Quando falam o que calamos
Quando coram do que escondemos
Riem do que mostramos
E choram os nossos ais.
Quando dançam, cantam
acordam e dormem
no corpo despido de um vestido
que se usou demais.
Quando esperam, desesperam, exasperam
e pedem mais.
Quando soluçam, vazias,
Quando tremem de agonias,
Quando temem vendavais.
Quando, erguidas, ressuscitam
Quando, decididas, nos gritam:
"Estamos vivas... Onde vais?"
Sempre encontrei beleza nas mãos.
As minhas, hoje, são lindas.
E querem envelhecer assim...
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