Se eu gostasse do Carnaval,
Talvez pudesse ser princesa,
Ter um príncipe, ter beleza,
Sem ninguém levar a mal.
Talvez pudesse ser pirata
E em vez ouro, em vez de prata,
Roubar carinho, amor e amar,
Sem ninguém me invejar.
Ou talvez fosse uma fada,
Daquelas com esse condão
De dar cama a quem dorme no chão,
Sem ter de dar justificação.
Seria também com gosto um palhaço,
Para m’enforcar num enorme laço,
Ter no sorriso o poder de um abraço,
Beber os dias com um bom bagaço,
Passar p'la vida a fazer estardalhaço,
Sem questionarem tudo o que faço.
Se eu gostasse do Carnaval
Podia ser eu que não fazia mal.
