21.12.06


Nasceu!




Nome: Catarina
Sexo: feminino
Idade: aprox. 4 horas
Peso: 2,990 kg
Altura: 45 cm

20.12.06

A dor...




















The Broken Column, by Frida Kahlo

...às vezes, confunde-me.
Não sei qual tratar primeiro.

Coimbra -1ºC














Lembrei-me dos 48ºC de um dos últimos verões.
Nesse dia, Coimbra era uma lareira.
De repente, este frio gelado quase me aqueceu.

18.12.06

Estou farta...















Adeus, Lucemar de Souza

de me despedir.
Já fazia falta ver alguém chegar em vez de ir embora.

12.12.06

Fazes-me falta...





















...hoje, principalmente.

E, por muito que me digam que o mundo hoje é cada vez mais pequeno,
a Alemanha, a Holanda e S. Miguel ainda ficam longe demais.



Ai este amor...

Conheci o CMUC quando ele tinha precisamente a idade que tenho hoje: 35 anos.
Temos uma grande diferença, é verdade, mas "o amor não escolhe idades", diz o povo e tem razão.
Na altura, eu era só ainda uma miúda e ele trinha já uma vida cheia para contar.
Fascinou-me aquela maturidade toda, aquela segurança de quem sabe o que tem para dar e ensinar... e o charme de alguém que, ao mesmo tempo, precisa de receber.
Lembro-me da primeira vez, como se fosse hoje. Cheguei tímida, um pouco assustada até... Achei-me insignificante aos olhos dele e temia o pior: que ele nem reparasse em mim. Quis fazer-me forte. Ergui a cabeça, empinei o nariz e pensei de mim para mim: "Se não gostar de mim, não gostou. Há mais quem goste!" Encolhi os ombros duas ou três vezes em sinal de indiferença e avancei, determinada.
Respirei fundo e entrei na sala. Sentei-me e esperei pela minha vez. Enquanto esperava, torcia os dedos das mãos, ansiosa, e tentava repetir interminavelmente a mesma frase na minha cabeça: "Tu consegues, tu consegues, tu consegues..."
Lembro-me da primeira conversa que tivemos. Estava tão nervosa que debitei uma série desenfreada de vocalizos, como se tivesse entrado numa espécie de verborreia musical. Cantei-lhe sobre mim e sobre a minha voz de contralto.
Deixou-me entrar no seu mundo e eu fui entrando devagarinho.A paixão foi imediata e atingiu proporções quase patológicas. Os meus pais - que apoiaram a relação no início, por a acharem passageira - começaram a criticar, a contrariar, a colocar obstáculos. "Vives em função do CMUC! Só pensas no CMUC! Estás até altas horas da noite com o CMUC! Passas mais tempo em casa do CMUC do que na tua própria casa."
Nunca tive a presunção de achar que conseguiria que eles entendessem um amor assim. Nem eles, nem tantos amigos que se foram queixando que eu nunca mais tinha aparecido.
Fui lutando contra tudo e contra todos por este amor, por esta paixão. Acho que houve uma altura em que ele se apaixonou por mim também. Chamava-me para ir a todo o lado com ele. Percorremos o país de Norte a Sul. Até fomos ao estrangeiro! Várias vezes! Levou-me a tantos concertos... Bach, Mozart, Carl Orff, cantatas, missas, misereres. Mostrou-me tanta gente diferente, tanta gente especial, tanta gente que ainda hoje me faz tanta falta. O CMUC ensinou-me tantas coisas... pianissimos, staccatos, ralentandos, legatos, eu sei lá!
Hoje, os meus 35 anos são gordos de vida e devo-lhe isso para sempre.
Crescer ao lado dele foi a melhor escola que eu podia ter tido.
Hoje, o meu amor é mais adulto, mais sereno, mas não menos intenso.
Os meus pais aceitaram-no finalmente e até sentem saudades de o ver por lá.
Sei que ele não é só meu, porque, na verdade, nunca foi de se prender.
Sei até que outras se apaixonaram também, mas não sinto ciúme.
O CMUC tem um coração enorme e uma capacidade de amar e dar como nunca vi.
Hoje faz 50 anos, mas na verdade, cada ano faz para aí umas 50 vidas!
E eu... sou uma delas.

Parabéns CMUC.

5.12.06

30.11.06

Uma esplanada qualquer...

Café Terrace at Night, Vincent Van Gogh

... e aquelas pessoas

...fazem toda a diferença.

Visionário este Van Gogh, não era?



27.11.06

Pedro e Inês... outra vez.




Foi inaugurada ontem a ponte pedonal que une as duas margens do meu Mondego.

Do meu sofá, ouvi o fogo que dizem que foi de artifício.

Pensei: "É caso para mandar foguetes... Lá isso é..."

18.11.06

Fui à bruxa...




















... e aproveitei para comer qualquer coisa.




















Entre arroz de tamboril, sangria e bolo de chocolate...
joguei às cartas com a "bruxa".
Ela baralhou, eu parti.
A sorte... dizem... ditam os astros.
E a lua estava escondida nessa noite.


16.11.06

Por cima da minha cama...


















Danae, Gustav Klimt


...escandalosamente alheia à minha insónia.

13.11.06

E se de repente....


















Lady Sandra, the Jester, i. Murphy

.... assim de repente, entrassemos no "nosso café",
aquele que fica mesmo por baixo de nossa casa
e dessemos de caras com uma amiga dos tempos da feliz ingenuidade,
daquelas que não vemos há séculos,
que mora longe há anos,
com quem partilhámos muitos dos momentos da vida,
daqueles do tipo "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte nos separe"....
e percebessemos que...
o divórcio é inevitável?
Porque quando entrámos e a vimos...
ela tinha o sorriso 35 do manual "Como fazer um ar natural numa situação artificial"
Porque o nosso coração não bateu quando a viu...
Ficou assim, como que suspenso...
hesitante entre a incredulidade e a indiferença.
Nos tempos que correm, é mais arriscado fazer amigos do que jogar na Bolsa.
P.S. Jester = Fool: a person lacking in judgement or prudence

25.10.06

Depois da tempestade....












































... os céus da bonança.

Na noite passada, voltei a ter medo do vento, como em criança. Costumava chamar a minha mãe para vir pôr uns calços de papel na janela de madeira, para que ela não batesse tanto. O barulho cessava e eu suspirava de alívio. É que... antes dos calços... parecia mesmo que era alguém a tentar arrombá-la. E por muitas canções que eu cantasse cada vez mais alto, simplesmente não conseguia dormir.

Na noite passada, voltei a ter medo do escuro como em criança. Costumava chamar a minha mãe para deixar a porta semi-aberta e deixar entrar um bocadinho de luz. A luz entrava e eu suspirava de alívio. É que... antes da luz... aquele vulto do meu robe pendurado atrás da porta parecia mesmo mesmo um homem a olhar para mim, à espera que eu adormecesse.

Na noite passada, voltei a chorar por causa da trovoada. Costumava pedir à minha mãe para se deitar um bocadinho comigo, só até ela passar. Ela deitava-se e abraçava-me cada vez que o relâmpago rasgava o céu. Quando chegava o trovão, já nos ríamos as duas do susto. É que... antes de ela se deitar... parecia mesmo mesmo que o trovão ia cair em cima de mim.

Na noite passada, morri de medo outra vez como antigamente. Só que, desta vez, tive de ganhar coragem para me levantar, fechar as janelas, deixar a porta aberta e a luz acesa. Cantei uma ou duas músicas quase alto. A minha mãe não se veio deitar ao pé de mim... mas, corada, confesso: juro que fiz de conta. Falei com ela e até soltei uma gargalhada. E faria qualquer coisa ... para acreditar que ela estava outra vez ali.

23.10.06

Simplesmente Maria...
Parte II





















Era dia 28 de um Janeiro que já vai ficando longe.
O século XX ia quase a meio e estava em guerra.
Preparava-se para usar saias rodadas, rabo de cavalo e descobrir o rock n' roll, assim que o pesadelo acabasse.
Num quarto da Cerca de S. Bernardo, nascia mais uma Maria na Terra, porque nessa altura era preciso ter dinheiro para nascer na Maternidade.
Num Verão de menina e moça na Figueira da Foz, conheceu pela primeira vez o amor e ficou convencida.
Anos depois, entrou na Igreja de Santa Cruz.
Largou, confiante, o braço do pai e abraçou, confiante, o do jovem galã, vestido de oficial.
Foi mãe muitas vezes e, de todas as vezes, foi como se fosse a primeira.
Hoje é a avó de todos os netos, mesmo dos que não são dela.
E mãe da própria mãe.
Imprescindível, insubstituível e eternamente linda.
Muitos me dizem que tenho a graça e a simpatia dela. E fico vaidosa e feliz.
Mas o que eu queria mesmo era ter a força que ela tem.
Dizem que mãe há só uma.
É a minha, de certeza.

20.10.06

Missão cumprida.

Éramos muitos.
Durante aqueles minutos, unimo-nos incondicionalmente.
No fim, um alívio, um sorriso orgulhoso... e uma lágrima no canto do olho.


Contrariada, arrumo o traje outra vez...
E o resto também.
Como um luto que não acaba nunca mais.

Por ti.... Sempre!




18.10.06

Gosto tanto de ti, que até te dói...





Há pessoas que nos querem tanto, tanto bem, que até nos fazem mal.
Que, de tanto nos quererem abraçar, nos esmagam.
Que, de tanto nos quererem beijar, nos cospem.
Que, de tanto nos quererem amparar, nos atiram ao chão.

Que nos dão uma caixa de doces, mas só lhes dermos duas.
Que nos oferecem flores, mas só se lhes plantarmos uma árvore.
Que nos estendem a mão no precipício, mas só se nos puderem algemar.

Há pessoas que, de tanto nos amarem, nos odeiam.

Tenho de perder esta mania de dar a outra face.
Hoje há missa...






























às nove e meia na Capela da Universidade de Coimbra.

14.10.06

shhhhhh.....



A propósito de uma daquelas conversas sinceras e frontais que nos permitimos ter apenas com quem nos quer bem, vi-me obrigada a repensar o que tenho dito e o que tenho feito.

Gosto que me chamem à razão com emoção sincera.

Gosto que me apontem o dedo com carinho.

Gosto que me toquem na ferida para a ajudar a sarar.

Hoje aconteceu...

Fizeram-me pensar... e eu pensei.

"Tens razão. Obrigada."

Apesar disso, não resisti brincar e lembrar uma canção que cantei em tempos.

Cantava-se assim:

"Eu vou tentar, prometo,

que destes versos

não saia uma canção mal-comportada.

Eu vou tentar não falar

do que acontece.

Eu vou tentar falar, sem dizer nada."

13.10.06

Alzeihmer é....

quando a tua avó de 84 anos te trata pela primeira vez por você e diz:
"Tem visto a minha mãe? Há tanto tempo que não a vejo..."
Na perplexidade do momento, é díficil saber o que responder.
Uns defendem que se deve chamar a atenção para a realidade.
Que é preciso adiar o mais possível a demência.
Que é urgente ajudar a manter o contacto com o quotidiano, com os rituais.
Que é pedagógico e terapêutico corrigir os erros.
Que não se deve potenciar comportamentos de ausência e alienação.
Curioso... A mim, só ocorre fazê-la feliz.
Por isso, respondi:
"Ela já vem´, 'vó. Ela já vem."

6.10.06

AAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!

Edvard Munch, Skrik

Há dias assim... Que nos enchem o peito de um ar fétido que apetece fazer explodir num grito.
Mas, de repente, percebemos que são tantas as coisas que fomos calando, tantos os panos quentes que fomos usando e tantos os pézinhos de lã com que fomos andando.... que, mesmo gritando, já nada saíria.
Lembro-me sempre daquela vez que, em criança, fiquei agarrada a um candeeiro na mesa de cabeceira. O meu primeiro choque eléctrico.
Ouvia a voz da minha mãe mesmo ali ao lado, no corredor, e gritei por ajuda.
Gritei com todas as forças, até sentir as cordas vocais quase a sangrar. Não saiu nem um som. Nada. Acho que foi a primeira vez que me senti verdadeiramente só.
Felizmente, naquela altura, durou apenas alguns segundos.

Hoje é um desses dias. Apetece-me gritar.
Mas não vale a pena.

Mesmo ouvindo a voz da minha mãe ali ao lado e a de todos os outros também....

Até um grito precisa de uma desculpa para sair. E a minha, já perdeu a validade.
Surpresa


Foi assim, por acaso, o ocaso do meu aniversário.

Como um presente que já não se espera, nem se pressente.

Como um beijo inesperado de um namorado que nos desespera.

Como a mão quente de alguém ausente que um dia chega

e fica para sempre...

28.9.06

27/09


Foi ontem.
Hoje estou melhor.
Amanhã já não faz mal.
Afinal, 35 é o número certo para tantas coisas...


3.9.06

Reflexo reflectido




















Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

(Retrato, Cecília Meirelles)

2.9.06

Às vezes basta-me...



em vez de um porto seguro...
dois ou três sinais de um certo farol.

15.8.06

Transplante de coração



Sem título, Hugo Cardoso


A dor não dói.
O que dói é pensar nela.

12.8.06

Simplesmente Maria...



Nasceu num dia 15 de Setembro, quando o século XX tinha pouco mais do que a maioridade.
Em Coimbra, foi filha, mulher, mãe, avó... mas acima de tudo, tricana.
Foi menina e moça na Cerca de S. Bernardo.
Lavou roupa no Mondego e dançou em rancho pelas ruas da Baixa.
Mulher de força, ternura, coragem e coração, hoje descansa.
Fez uma pausa no tempo e espreita o passado como se estivesse à janela.
Canta-me os versos de menina, fala-me de coisas que estão ali e que nunca cheguei a conhecer.
Alheia à tecnologia do CD, está ali sentada a ouvir canções de antigamente como se estivesse numa serenata na Sé Velha.
Bate palmas, dança e canta.... Como se não houvesse amanhã.
E eu pergunto-me, haverá?
A minha avó, tal como a minha Coimbra, tem mais encanto na hora da despedida.

6.7.06


Tenho tido vontade de perguntar à minha mãe como foi...




Acho que sou eu,... à procura de mim.

3.7.06

Lua
Indian Ocean, Wayne Robins

La luna se puede tomar a cucharadas

un pedazo de luna en el bolsillo

es el mejor amuleto

sirve para ser rico sin que lo sepa nadie

sirve para encontrar a quien se ama

se puede dar de postre a los niños

cuando no se han dormido


Bodie Island Light, Frank Tozier

A lua pode tomar-se às colheradas

um pedaço de lua no bolso

é o melhor dos amuletos

serve para se ser rico, sem que ninguém saiba

serve para encontrar quem se ama

pode dar-se de sobremesa às crianças

quando elas não adormecem

25.6.06

Ainda não conheci um "paraíso"...





... que pertencesse a gente feliz.



Há lugares...




Chichén Itzá, Riviera Maya, México

Chichén Itzá, Riviera Maya, México


Tulum, Riviera Maya, México

Tulum, Riviera Maya, México





... que este mundo já não merece ter.






15.4.06