
Nasceu!
Nome: Catarina
Sexo: feminino
Idade: aprox. 4 horas
Peso: 2,990 kg
Altura: 45 cm
Conheci o CMUC quando ele tinha precisamente a idade que tenho hoje: 35 anos.



... os céus da bonança.
Na noite passada, voltei a ter medo do vento, como em criança. Costumava chamar a minha mãe para vir pôr uns calços de papel na janela de madeira, para que ela não batesse tanto. O barulho cessava e eu suspirava de alívio. É que... antes dos calços... parecia mesmo que era alguém a tentar arrombá-la. E por muitas canções que eu cantasse cada vez mais alto, simplesmente não conseguia dormir.
Na noite passada, voltei a ter medo do escuro como em criança. Costumava chamar a minha mãe para deixar a porta semi-aberta e deixar entrar um bocadinho de luz. A luz entrava e eu suspirava de alívio. É que... antes da luz... aquele vulto do meu robe pendurado atrás da porta parecia mesmo mesmo um homem a olhar para mim, à espera que eu adormecesse.
Na noite passada, voltei a chorar por causa da trovoada. Costumava pedir à minha mãe para se deitar um bocadinho comigo, só até ela passar. Ela deitava-se e abraçava-me cada vez que o relâmpago rasgava o céu. Quando chegava o trovão, já nos ríamos as duas do susto. É que... antes de ela se deitar... parecia mesmo mesmo que o trovão ia cair em cima de mim.
Na noite passada, morri de medo outra vez como antigamente. Só que, desta vez, tive de ganhar coragem para me levantar, fechar as janelas, deixar a porta aberta e a luz acesa. Cantei uma ou duas músicas quase alto. A minha mãe não se veio deitar ao pé de mim... mas, corada, confesso: juro que fiz de conta. Falei com ela e até soltei uma gargalhada. E faria qualquer coisa ... para acreditar que ela estava outra vez ali.



A propósito de uma daquelas conversas sinceras e frontais que nos permitimos ter apenas com quem nos quer bem, vi-me obrigada a repensar o que tenho dito e o que tenho feito.
Gosto que me chamem à razão com emoção sincera.
Gosto que me apontem o dedo com carinho.
Gosto que me toquem na ferida para a ajudar a sarar.
Hoje aconteceu...
Fizeram-me pensar... e eu pensei.
"Tens razão. Obrigada."
Apesar disso, não resisti brincar e lembrar uma canção que cantei em tempos.
Cantava-se assim:
"Eu vou tentar, prometo,
que destes versos
não saia uma canção mal-comportada.
Eu vou tentar não falar
do que acontece.
Eu vou tentar falar, sem dizer nada."


La luna se puede tomar a cucharadas
un pedazo de luna en el bolsillo
es el mejor amuleto
sirve para ser rico sin que lo sepa nadie
sirve para encontrar a quien se ama
se puede dar de postre a los niños
cuando no se han dormido
A lua pode tomar-se às colheradas
um pedaço de lua no bolso
é o melhor dos amuletos
serve para se ser rico, sem que ninguém saiba
serve para encontrar quem se ama
pode dar-se de sobremesa às crianças
quando elas não adormecem