13.1.15

IN MEMORIAM


IN MEMORIAM
Quando o dia chegar...
Também eu vou dar que falar
Hão-de dizer todos tão bem de mim
Que nunca houve ninguém assim
Tão sensível... Tão especial...
Vão dizer que a vida me tratou mal
Que eu merecia ter sido maior
Que nunca ninguém me deu valor
Que eu tinha ainda muito para dar
Como é uma pena, eu já cá não estar.

Hei-de ouvir tudo, lá do alto de mim.
Hei-de sorrir e pensar "Não é bem assim...
Aquilo que fui foi suficiente
Para se juntar em Amor assim tanta gente".
E não importa o que não cheguei a ser
Eu vivi cada dia sem medo de morrer!

TAMANHOS


O tamanho não interessa
Excepto o da tua cabeça
O tamanho é uma ilusão
Excepto o do teu coração
Pequeno ou grande tanto faz
Excepto naquilo que dás
Maior ou menor é igual
Se escolheres fazer bem, em vez de mal
E se não mentires em biscos dos pés,
É gigante aquilo que no espelho vês!
Vive o teu tamanho em amor
E vais ver! Nunca a tua alma foi maior!

7.1.15

PONTO FRACO


Tenho um ponto fraco que, de tão mole que é, me derrete o coração. É assim. Um ponto. Como o olho de uma flor, quando abre ao Sol. Ou como um botão. Daqueles vermelhos que, quando se tocam, impõem uma paragem de emergência, em contemplação e deleite.
E fico, assim, suspensa... nas histórias daqueles lenços, no tecido rasgado das pantufas, no orgulho inchado dos tornozelos e nos calos vitoriosos das mãos. 
Não há nada, para mim, mais irresistível do que a música que faz o sorriso desprendido de quem já chorou tudo na vida e, ainda assim, no fim... ri! Vénias... muitas!
Na minha avó, estão guardadas todas as maravilhas do meu mundo.
Todas!

FAZES FALTA



Sabes, Zeca?
O que mais me sobressalta é esta maré baixa que não volta a ser alta.
É este foco de trevas nas luzes da ribalta.
É este "punhal nas costas" que nos entra em casa e assalta.
E esta bandeira rasgada que já nem sequer nos exalta.
 Sabes, Zeca?
Fazes falta para animar a malta...