12.5.10

LIVRO DE RECLAMAÇÕES





Dizem que está escrita…

Que há uma mão infinita

Que não treme, nem se agita,

Quando decide a desdita.


 
Dizem que pouco podemos

Que é destino, são segredos

De uma força que não vemos

E eu pergunto: merecemos?



Dizem que chega a ser ridícula,

Que não passa de uma gotícula

Que é uma vontade minúscula

Perante obra tão esdrúxula.



Se assim é, pergunto ao autor,

Sem querer parecer ingrata,

Se não pode fazer-me o favor

De escrever no meu caso uma errata



É que já vou achando cruel

Este meu secundário papel

Já se me vai esgotando o sorriso

E a esperança no tal paraíso.



Não quero parecer esquisita

Talvez nem tenha jeito para a escrita

Mas qualquer leitor desanima

Perante tão fraca “obra-prima”.



Por isso, não me levem a mal

Por LHE pedir esta emenda

Mas prefiro uma vida banal

Do que esta dor por encomenda.