Parte II

Era dia 28 de um Janeiro que já vai ficando longe.
O século XX ia quase a meio e estava em guerra.
Preparava-se para usar saias rodadas, rabo de cavalo e descobrir o rock n' roll, assim que o pesadelo acabasse.
Num quarto da Cerca de S. Bernardo, nascia mais uma Maria na Terra, porque nessa altura era preciso ter dinheiro para nascer na Maternidade.
Num Verão de menina e moça na Figueira da Foz, conheceu pela primeira vez o amor e ficou convencida.
Anos depois, entrou na Igreja de Santa Cruz.
Largou, confiante, o braço do pai e abraçou, confiante, o do jovem galã, vestido de oficial.
Foi mãe muitas vezes e, de todas as vezes, foi como se fosse a primeira.
Hoje é a avó de todos os netos, mesmo dos que não são dela.
E mãe da própria mãe.
Imprescindível, insubstituível e eternamente linda.
Muitos me dizem que tenho a graça e a simpatia dela. E fico vaidosa e feliz.
Mas o que eu queria mesmo era ter a força que ela tem.
Dizem que mãe há só uma.
É a minha, de certeza.
1 comentário:
Um momento de rara beleza. Uma homenagem em vida, como deviam ser todas.
Mas o melhor de tudo foi ouvir-te dizer:"(...), de certeza."
Sim porque eu ouvi.Mais. Eu senti essa tua certeza.
Infinita e incondicional.
Um momento de rara beleza.
Mil beijos de uma filhota que ainda não teve essa tua boa coragem.
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