25.7.16

DÃO DE MIM


Ah, Dão!
Quantas vezes te dizem o nome em vão!
Tão alheios, tão longe do teu milagre estão
Que te passam, sem ver, de tão cegos que são.

Perdão!
Se te esquecem os verdes que lhes vestem a pele
Se te ignoram as uvas e o seu vinho fiel.

Se não sonham que é do vento que lhes nasce uma voz
Que na montanha ecoa como um grito feroz.

Se não sabem dos teus rios, nem sequer para onde vão…
Ignorantes das águas e da sua missão

Se não sentem nos campos sangue que corre quente
E linhas nas vinhas escritas com mão de gente

Ah, Dão!

Não são só as tuas montanhas, os teus vales, os teus rios…
Não são só os teus campos que nunca abandonas vazios
Não é só o teu verde que dá cor à minha Esperança…
Nem é só o teu vento que dentro de mim dança…

É essa tua videira que me abraça uma vida inteira!
E és tu!
Terra e alma do meu avô!
Que me vestes de mim!
Que me dás quem eu sou!


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