É assim todas as manhãs...
O mesmo Sol no horizonte
Uma saudade a fazer ponte
E um lençol de nuvens, às vezes de algodão
Outras, de linho translúcido de ilusão
E às vezes, muitas...
Mais do que as que eu queria,
Nuvens cinzentas de agonia
E um baloiço...
Onde eu, sozinha, me agarro
Como ao vício de um cigarro
Para fingir a companhia
Que tinham os dias, quando eu me ria
Ou aquelas outras manhãs no horizonte
Em que eu não precisava de ponte
Porque era tão forte o teu Sol,
Tão brilhante, tão potente...
Tão flagrante, tão presente...
Que, inúteis, as nuvens não te faziam lençol.

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