Foto: Sarah Buell Dowling
Amiga…
Não sei bem como se faz para te devolver quem ficou para trás
Nem sei bem como se diz o segredo que apaga o teu dia
infeliz
Não sei como se te abraça num dia cor-de-desgraça
Nem sei como se te beija nesse sítio que tanto aleija
Não sei, amiga, mas queria…
Queria poder enfeitar-te o dia,
Passear-te onde há brisa, em vez de ventania
E onde a vida só enche, não esvazia.
Queria saber feitiçaria,
E transformar a tua dor, a tua agonia
Num carrossel de infantil alegria
Queria, amiga, queria que bastasse
Que a minha ternura te abençoasse
E que a vida nunca te maltratasse
E queria, amiga, que fosse possível
Substituir-te o insubstituível
E tornar o horror assim menos horrível
Não sei amiga, mas posso
Agarrar-me ao teu pescoço
Como um cachecol quente e grosso
Que te afaga durante o inverno
Num calor de carinho eterno
A lembrar aquele abraço paterno.

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