6.10.06

AAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!

Edvard Munch, Skrik

Há dias assim... Que nos enchem o peito de um ar fétido que apetece fazer explodir num grito.
Mas, de repente, percebemos que são tantas as coisas que fomos calando, tantos os panos quentes que fomos usando e tantos os pézinhos de lã com que fomos andando.... que, mesmo gritando, já nada saíria.
Lembro-me sempre daquela vez que, em criança, fiquei agarrada a um candeeiro na mesa de cabeceira. O meu primeiro choque eléctrico.
Ouvia a voz da minha mãe mesmo ali ao lado, no corredor, e gritei por ajuda.
Gritei com todas as forças, até sentir as cordas vocais quase a sangrar. Não saiu nem um som. Nada. Acho que foi a primeira vez que me senti verdadeiramente só.
Felizmente, naquela altura, durou apenas alguns segundos.

Hoje é um desses dias. Apetece-me gritar.
Mas não vale a pena.

Mesmo ouvindo a voz da minha mãe ali ao lado e a de todos os outros também....

Até um grito precisa de uma desculpa para sair. E a minha, já perdeu a validade.

2 comentários:

Anónimo disse...

Este quadro sempre me impressionou!
Desde que o descobri numas noites de estudo em casa de colegas, quando descobri a "História da Arte" da Gulbenkian, que depois veio a ocupar um lugar de destaque na minha estante.
Não me impressionou menos a tua mensagem e as seguintes...
Continua a oferecer-nos estes momentos de reflexão!...
Uma oportunidade de pararmos um pouco...e não pensarmos naquelas coisas "mesquinhas" de todos os dias! Por vezes andamos tão "desfocados" do que verdadeiramente interessa.
FB

Anónimo disse...

A mim sugere-me a agonia de Maria Bethânia, em Grito de Alerta. Inspiração do Mestre Gonzaga.

Bebe disto: "(...) São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo

Arrasando aos poucos com o nosso ideal

São frases perdidas num mundo de gritos e gestos

Num jogo de culpa que faz tanto mal

Não quero a razão pois eu sei o quanto estou errada

O quanto já fiz destruir

Só sinto no ar o momento em que o copo está cheio

E que já não dá mais pra engolir

Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta

Eu busquei a palavra mais certa

Vê se entende o meu grito de alerta

Veja bem, é o amor agitando meu coração

Há um lado carente dizendo que sim

E essa vida da gente gritando que não."

Paula aquelaqueadoraoimpossivelchão.