25.10.06

Depois da tempestade....












































... os céus da bonança.

Na noite passada, voltei a ter medo do vento, como em criança. Costumava chamar a minha mãe para vir pôr uns calços de papel na janela de madeira, para que ela não batesse tanto. O barulho cessava e eu suspirava de alívio. É que... antes dos calços... parecia mesmo que era alguém a tentar arrombá-la. E por muitas canções que eu cantasse cada vez mais alto, simplesmente não conseguia dormir.

Na noite passada, voltei a ter medo do escuro como em criança. Costumava chamar a minha mãe para deixar a porta semi-aberta e deixar entrar um bocadinho de luz. A luz entrava e eu suspirava de alívio. É que... antes da luz... aquele vulto do meu robe pendurado atrás da porta parecia mesmo mesmo um homem a olhar para mim, à espera que eu adormecesse.

Na noite passada, voltei a chorar por causa da trovoada. Costumava pedir à minha mãe para se deitar um bocadinho comigo, só até ela passar. Ela deitava-se e abraçava-me cada vez que o relâmpago rasgava o céu. Quando chegava o trovão, já nos ríamos as duas do susto. É que... antes de ela se deitar... parecia mesmo mesmo que o trovão ia cair em cima de mim.

Na noite passada, morri de medo outra vez como antigamente. Só que, desta vez, tive de ganhar coragem para me levantar, fechar as janelas, deixar a porta aberta e a luz acesa. Cantei uma ou duas músicas quase alto. A minha mãe não se veio deitar ao pé de mim... mas, corada, confesso: juro que fiz de conta. Falei com ela e até soltei uma gargalhada. E faria qualquer coisa ... para acreditar que ela estava outra vez ali.

3 comentários:

AP disse...

As noites mais assustadoras são aquelas em que nem a tempestade se ouve.
Hoje à tarde, debaixo de um sol quente, morri de medo da tempestade...

raquel disse...

Então e que tal um vídeo de uma das mil e uma festas do CMUC para espantar o medo? Qualquer tempestade se recolhe em sinal de respeito, perante tamanho registo de grandiosidade lúdica. Já agora, valia a pena pensar nisso... Não? Jocas

AP disse...

A tempestade já foi há algum tempo! Já começo a ter saudades das reflexões e ecos que só surgem em... dias de lua cheia!
Beijinhos