6.5.13

NINHO

 
Eu sabia! Todos os anos é a mesma histeria. Fotografias - antigas ou de agora - que mostram sorrisos abertos, peitos para fora. Mãos-dadas: frescas, velhas ou engelhadas. Declarações de amor: quanto mais lamechas melhor. Presentes, flores, poemas... Palavras bonitas, cores alegres, catitas, cheiros de alfazemas. Vejo tudo, daqui, da janela do meu peito. Pouso o queixo nas mãos, os cotovelos no parapeito... e abano a cabeça, como quem não se interessa ou sorri e confessa um orgulho suspeito. É que desta janela, vejo com maior clareza. E não é por ser minha, nem por ser bonitinha ou por ser minha vontade. É que eu tenho a certeza, e desculpem-me a franqueza, mas vou repor a verdade. Estais todos enganados! Confusos, tontos... baralhados! Por isso, vos digo sem dó! Mãe enorme, mãe a sério, mãe só uma é aquela que eu vejo desta janela e que nasceu da minha avó!

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