Respeito...
Um rosto assim, metade desfeito.
Uma boca vazia de
morder a eito.
E uma testa com
linhas a torto e a direito...
Respeito
Os pulmões encolhidos de ar
rarefeito,
o pescoço franzido por cima do peito.
e o manto escorrido de um branco satisfeito.
Adivinho a história vivida a preceito
no fundo dos olhos que agora espreito.
Venero, pasmada, em profundo deleite
os anos pendurados num corpo malfeito.
E rejeito...
Os cabelos que pinto cor de preconceito
E, por fim, aceito...
Que um dia, talvez, também eu tenha direito
a um rosto assim:
tão perfeitamente imperfeito.

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