14.1.14

NÃO TE ADMITO


Não te admito esse teu “não tenho tempo agora”. 
Como se o meu tempo de ti fosse adiado pela vida fora. 
Não te admito o “já te ligo”, o “não vês que agora não posso?”, 
quando o meu viver todo transpira só o que é nosso. 
Não te admito o ar enfadado, o fastio, o olhar virado. 
Se o teu direito e o teu esquerdo são o meu único lado. 
São meus os teus momentos também. 
São meus, talvez teus, mas de mais ninguém. 
Não te admito outros bafos que não cheirem a nós. 
Bafos vazios, bafos estéreis que nunca chegarão a ser voz. 
Não te admito, jamais vou admitir. 
Que te “esconses” para lá de mim. 
Como raiz a querer fugir… 
Como um “era uma vez” a querer ser “Fim”.

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