24.2.15

VAZIOS



Há pessoas assim.
Escravas de amargura sem-fim
Azedas, viciadas em fel, ódio e rancor
Ignorantes da Vida, do Sol, do Amor
São pessoas “pretas”, sem mais nenhuma cor
Ausências de luz, buracos sem fundo
Intermináveis infinitos de cheiro nauseabundo
Canos rotos por onde se lhes escapa o mundo
Pessoas doentes, dementes, deficientes de tudo
Impotentes, indigentes, sem “gente” no conteúdo
São ausentes, inexistentes, um acidente mudo

São dias que nascem só para morrer
São luzes fundidas antes de acender
São marés vazias que nunca vão encher


São vidas assim, sem vocação para viver.

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