28.4.17

AUTORIAS




Às vezes, fico a pensar,
Se ela estará ali
Nas linhas que eu escrevi.
Se ela estará a sorrir
Ou simplesmente a ouvir.
Ou se estará a dizer
“Eu sabia o que ias escrever!”
Não sei. Gostava de saber.
Do lado de cá, pouco sei olhar.
Mas juro que, às vezes,
Quando fico a pensar,
Sinto uma corrente de ar
- uma espécie de vento a soprar.
E a caneta que tenho na mão
De repente, sai da solidão
E escolhe palavras sozinhas
Como se elas não fossem só minhas.
Não sei. Se sou eu que, de tanto querer,
De tanto a não esquecer,
De tanto a pedir de volta,
Escrevo linhas em revolta
Com a esperança de que ela me ouça
Como quando eu era ainda moça
E lhe lia linhas que não eram as minhas
Mas que ela ouvia com esperança
Que, num dia de bonança,
Eu ganhasse a coragem de escrever
As linhas que ela sabia que eu sabia escrever.

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