17.10.18

Não queiras que gostem de ti
Limita-te a ser
Quando abres os braços,
Quando estendes as mãos,
Eles não querem abraços.
Nem ser teus irmãos.
Eles não querem saber
Eles preferem sempre ver
Aquilo que tu não tens para lhes oferecer.

Quando, de repente, deres conta,
Quando tu deixares de ser montra,
Vão esquecer a tua graça
E inventar-te uma desgraça.
E até os que pensavas que eram teus
Vão procurar em ti defeitos que são os seus,
Vão se fartar de ti, vão-te evitar,
Vão se cansar de te gostar,
E vão procurar qualquer defeito
Que entorte o que tu tens direito.
Vão querer uma novela
Que possam contar à janela
Um episódio sobrenatural
Sobre a tua vida, afinal, tão banal
E tu... que gostavas deles por serem teus,
Com todos os defeitos que já eram os seus,
Vais doer onde magoa mais,
O lugar que envaidece os teus pais,
A tua herança genuína,
Aquilo que é mais teu:
A tua inocência de menina
E o beijo que a tua avó te deu.

Não queiras agradar ninguém
Faz amigos por dentro,
lá onde não entra ninguém.
Tu não precisas que gostem de ti
Não precisas que te vejam
Mesmo aqueles que não te beijam,
Nem que entendam o que em ti mereceu
Aquele beijo que a tua avó te deu.

Deixa... Limita-te a ser.
Tu também nada forçaste para o merecer.
Nem ela te beijou para o mundo inteiro ver.

1 comentário:

Maria Filipa Prata disse...

Tão lindo minha querida. Vou “levar”! Posso?