7.4.20

PROMESSA

Para a Elisabete:
Fiz-te, há tempos, esta promessa
Mas esta vida, sempre com pressa,
Empurrou em frente os dias
Com ridículas ninharias
Que não chegam a ser nada
Quando olho a tua estrada.
E as palavras prometidas
Ficaram mudas, entupidas
Durante horas demais e compridas.
Até que ontem me lembrou,
Me chamou, me gritou
Que amanhã nunca chegou.
Procurei a tal justiça
Que se pede à consciência,
Como quando vamos à missa
À procura de inocência.
Até que me veio à memória
Coisa sem fim e sem idade,
Uma espécie de vitória
Do poder da eternidade:
Uma doce e vingada verdade
Feita moeda de troca:
Esse sem-fim de bondade
Que tinha o sorriso da tua boca.
E, por isso, tenho a certeza,
Tanta como hoje tenho a tristeza,
Que é por causa desse sorriso,
Esse tudo que nos resta,
Que lá no tal do paraíso,
Hoje o dia é de festa.
Porque um sorriso como o teu,
Tão perfeito desenho de Amor,
Conquista, quando nasce, o Céu,
Apesar da nossa dor.

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