7.4.20

RAMOS

Todos os dias os números do medo aumentam
Todos os dias há mortes que nos atormentam
Todos os dias as noites não dormem, lamentam
Todos os dias os dias já mal se aguentam.
Mas eu sei ...mais até do que ouvi dizer
Que todos os dias são dias que podem vencer
Sei de fonte segura esta minha verdade
Desde que a vi romper cura na enfermidade
Tão morta parecia, como as outras que havia
Tão coisa queimada, tão resto de nada
Mas do nada que tinha ela estendeu um membro
A lembrar um milagre nascido em Dezembro
No asfalto queimado, esgotado de fim
Rompeu bravo aquele ramo de pereira-jardim
E no lugar onde a vida já não queria ser
Ela lembrou à vida como era sobreviver
Hoje é a árvore mais bela que eu alguma vez vi
E por causa dela, a morte à janela eu quase esqueci
Por isso, estendam o braço ao céu com confiança
E agarrem a nuvem onde está escrita a Esperança.
Porque por cada folha viva a romper no asfalto
Nós temos a escolha só nossa de gritar bem alto
"Hei de ser outra vez maior do que eu me lembro
Como a árvore teimosa que sobreviveu setembro."

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