27.5.18

DESCANÇO




Fui lá...
Onde dizem que se descansa.
Ajeitei-te a jarra, com a raiva de quem já não te agarra.
Afaguei-te as flores com inconformado desprezo pelas cores
E rezei-te por dentro o meu egoísta e mudo lamento.
Virei-te as costas, pesada. 
Com esta dor ainda mais magoada. 
Voltei velha abandonada, 
Mesmo com a minha mãe de mão dada... 
E chorei uma espécie de nada
Com estas rugas sem esperança,
De quem nunca mais volta a ser criança.
Lá! Onde dizem que se descansa...

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