Não sei distinguir, perdão!
O afecto que eu sinto não tem "mas", nem "se", nem "senão".
Não tem cor, seja ela clara ou escura,
Nem tonalidade, nem nuance,
Nem morena sexy, nem loura burra
É coisa sem preconceito, sem hierarquia.
Não tem idade, não tem sexo, nem a tal orientação que o guia.
Não tem dinheiro, nem a falta dele.
Nem Senhor Doutor, nem a mulher dele.
Não tem Engenheiro, nem Sr Professor.
Nem Vossa Excelência, nem a vénia do favor.
Às vezes, o meu afecto tem pele, tem mãos, pernas e rosto.
Outras vezes, ele tem o pelo, o focinho e as patas de quem gosto.
Por isso, quando eu sofro,
A minha dor não escolhe ser "equilibrada"
E chora os vazios todos que me ficam sem nada.
Portanto,
Não me chamem louca, doente, não me chamem maluca
E deixem-me chorar hoje, amanhã e sempre que me doer
O dia em que partiu o meu amigo Ruca.

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