27.5.18

MAIS NADA!


Não me apetece mais nada!
Perdão!
Talvez esta seja uma declaração
Um tanto ou quanto descontextualizada.
Mas sinto-me ovelha tresmalhada,
Uma vaca perdida
Dissidente decidida
Da sua própria manada.
Ou água seca fugida
Da água que leva escondida
A serra na levada.
Como raposa-surpresa
De inesperada delicadeza,
Que vem pedir, em vez de roubar
A fruta que é do pomar.
E, de manhã, ao acordar
Ou à hora do jantar,
Apesar da fome ter certeza
Rejeita uma certa natureza
E pede, em vez de roubar,
A comida que vê na mesa.
Perdão! Tem razão!
Foi infeliz a declaração.
A verdade é menos baralhada.
O que me apetece realmente
Não é de todo comovente
Nem tem sequer em mim precedente.
Apetece-me a décima terceira badalada.
E mais nada!
Não me apatece mais nada!


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