27.5.18

VERDES





No céu, eu vi o sol cegar
O dia fechou de medo o olhar
E o ar sufocou sem conseguir respirar
Mal tive tempo de guardar
Os verdes da serra e os do pomar
Quem dera eu agora os soubesse pintar

O campo onde eu descalço brinquei
O velho carvalho que eu tanto trepei
A quinta do avô onde só eu era rei
O melro, a raposa, o veado, a perdiz
E o serra da estrela de cauda feliz...
Acordou negro o lugar da minha raiz

Eu juro que vou conseguir encontrar
Quem comigo queira voltar a plantar
E juntos, o chão havemos de curar
Do cimo da serra nós vamos gritar
"É nossa esta terra, é nosso este lugar!"
E verde é a cor do que há-de vingar!

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