27.5.18

MATERNIDADE




Tenho um filho, sim.
Eu também!
Quem disse que eu não podia ser mãe?
Tenho um filho, sim, que é em tudo igual
Aos filhos das mães paridos de parto natural
É pequenino, o meu menino,
Mal se via quando nasceu
Mas todos os dias ele fez magias
Aqui, no ventre vazio que o recebeu
Tem pele suave, sensível, tão frágil, tão delicada...
E um corpo que parece que não vai resistir a quase nada
Mas é no vento secreto que é feito de afecto
Que este meu menino deixa de ser franzino
Para ser lobo valente, pronto a fazer frente
A vento nefasto que serve de pasto
Aos que comem o alheio
Em vez de cultivarem centeio.
A este meu filho-destino,
Meu rico menino,
Basta uma montanha de mimo
Com um punhado de gente feliz lá no cimo
Duas colheres de Sol da manhã
Duas pitadas de colo da mamã
Risos a gosto, lágrimas q.b.
Como as que chora a vida quando nasce um bebé
Porque este meu filho umbilical
Nascido, ele também, de parto natural,
Vem do lugar de onde a Verdade sai
E é de lá que lhe vem o brilho.
O brilho do meu rico filho...
Vem do pai!

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