27.5.18
DEFEITOS
Nasci com defeito.
Era invisível.
Um nevoeiro.
Cobarde à espreita, sorrateiro.
Porque eu nasci inteira e bonita
Com vontade de chegar num pulmão que grita.
Tinha os dedos todos, orelhas catitas,
Nariz de botão e pestanas infinitas.
Uma menina por oração
E bonitinha por gratidão.
Desejada e festejada,
Como se a partir de mim... não importasse mais nada.
Era perfeita...
Uma paixão,
Um tesouro.
Bochechas de algodão. Sorriso de ouro.
Mas cheguei com defeito.
Um defeito escondido. Criminoso inibido.
À espera de me ver crescer,
Só para um dia me vir dizer
Que eu, afinal, nunca haveria de ser
A princesa perfeita que todos viram nascer.
Apanhou-me de surpresa, o desgraçado.
A mim e a todos os que algum dia me tinham amado.
Tentei esquecer-me do que ele fez.
E de cada vez que consegui,
Ele voltou outra vez.
Como agora.... que quase o tinha esquecido...
Mas ele, com a maldade típica de um bandido,
Voltou para me esclarecer
Que é dele e não minha a vida que eu posso ter.
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1 comentário:
Muita força. Tu sempre o vences-te!
Bjs Quim
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